Curiosidades

10 jeitos potiguares de concordar com algo sem precisar dizer “sim”

Porque no Rio Grande do Norte responder apenas “sim” é simples demais. Por aqui, a gente concorda, pergunta de volta, confirma e ainda coloca personalidade no meio.

Se você pergunta alguma coisa a um potiguar esperando receber só um “sim”, talvez seja melhor puxar uma cadeira. No RN, uma simples concordância pode virar pergunta, exclamação, ironia ou até uma frase que, para quem é de fora, parece significar exatamente o contrário.

O mais curioso é que a gente usa essas expressões tão naturalmente que muitas vezes nem percebe. Mas basta conversar com alguém de outro estado para descobrir que nosso vocabulário às vezes precisa de legenda.

Separamos dez jeitos bem conhecidos de concordar do nosso jeito. E sim: dependendo da entonação, uma mesma palavra ainda pode significar outras vinte coisas.

1. IAPOIS?

Arte do O Debochado com a expressão potiguar Iapois?
“Iapois?”: quando concordar também pode parecer uma pergunta.
— Boy, esse calor hoje tá de lascar, né?
— IAPOIS?!

“Iapois?” é praticamente uma instituição. Dependendo do tom, significa algo como: “é claro, homem, você ainda precisava perguntar?” Serve para concordar, reforçar uma obviedade e, de quebra, demonstrar uma leve indignação.

2. MASSA!

Arte do O Debochado com a expressão Massa!
“Massa!”: curto, direto e aprovado.
— Amanhã a gente chega lá umas 8h.
— MASSA!

É uma das respostas mais versáteis do nosso vocabulário. Pode significar “combinado”, “legal”, “gostei”, “perfeito” ou simplesmente “não tenho nenhuma objeção a apresentar”.

3. TÁ MASSA!

Arte do O Debochado com a expressão Tá massa!
“Tá massa!”: o “massa” com carimbo de aprovação.
— Já fiz o Pix.
— TÁ MASSA!

Há quem diga que “massa” e “tá massa” são a mesma coisa. Essas pessoas claramente não concluíram o curso avançado de linguística potiguar. “Tá massa” passa aquela sensação de que ficou tudo resolvido.

4. ORA SE NÃO?!

Arte do O Debochado com a expressão Ora se não
“Ora se não?!”: para quem é de fora, parece dúvida; para a gente, é confirmação.
— A comida tava boa demais, né?
— ORA SE NÃO?!

É quase como responder: “e existe alguma possibilidade de não estar?” O detalhe é que, se você não conhece a expressão, há uma chance real de interpretar justamente o contrário.

5. NUM DISSE A TU?

“NUM DISSE A TU?”
— Rapaz, aquela rua tava alagada mesmo.
— NUM DISSE A TU?

Aqui não basta concordar. É preciso deixar registrado que eu avisei antes e você não acreditou. É o nosso “eu te disse”, só que com muito mais satisfação em estar certo.

6. DESSE JEITO!

Arte do O Debochado com a expressão Desse jeito!
“Desse jeito!”: exatamente como você acabou de dizer.
— Aqui de manhã faz calor, de tarde faz mais calor e de noite continua quente.
— DESSE JEITO!

É a confirmação completa. Você descreveu a situação e a outra pessoa apenas coloca o selo oficial: é exatamente isso.

7. DESSE MODELO!

Arte do O Debochado com a expressão Desse modelo!
“Desse modelo!”: primo legítimo de “desse jeito”.
— O salário entra numa semana e na outra já sumiu.
— DESSE MODELO!

Ninguém sabe exatamente em qual momento “modelo” virou unidade de concordância, mas virou. E funciona para absolutamente tudo: trânsito, conta de energia, calor, vizinho barulhento e fim de mês.

8. TÁ SHOW!

Arte do O Debochado com a expressão Tá show!
“Tá show!”: planejamento oficialmente aprovado.
— Reservei a mesa pra oito horas.
— TÁ SHOW!

Significa que está tudo certo e que o planejamento foi aprovado sem ressalvas. É quase uma assinatura eletrônica verbal.

9. PODE CRER!

Arte do O Debochado com a expressão Pode crer!
“Pode crer!”: concordância com um leve “você tem razão”.
— Tudo hoje em dia tá caro demais.
— PODE CRER!

Talvez não seja uma exclusividade potiguar, mas já mora confortavelmente no nosso vocabulário. É uma mistura de “concordo”, “é verdade” e “infelizmente também estou passando por isso”.

10. É NADA!

Arte do O Debochado com a expressão É nada!
“É nada!”: quando uma negação misteriosamente também pode confirmar.
— Essa fila demorou foi duas horas.
— É NAAADA!

Agora chegamos ao nível avançado. Dependendo da entonação, uma frase que parece negar tudo pode servir justamente para reforçar o que foi dito. A linguística potiguar não precisa fazer sentido para funcionar.

BÔNUS: NÉ ISSO?

— O negócio é trabalhar só pra pagar boleto hoje em dia.
— NÉ ISSO?

Você afirmou, a pessoa concordou e agora devolveu uma pergunta para você confirmar a confirmação. É praticamente um sistema potiguar de autenticação em duas etapas.

E ainda faltou um bocado…

Dependendo da cidade, da família e principalmente da entonação, aparecem outras respostas e variações. Porque no RN o significado não está só na palavra: está também no jeito de falar.

A gente poderia simplesmente responder “sim”.

Mas aí também já era pedir demais. Né não?

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